terça-feira, 3 de março de 2009

Quando a chuva tem algo a dizer...

Domingo, 22 de fevereiro de 2009

Quando a chuva tem algo a dizer...

Meu sono é leve, dormi às 6 da manha e acordei às 10...na verdade estava desperto desde as 8 but one more time eu estava sobre o colchão preguiçoso da Mayra. E olha que odeio ficar deitado olhando para o teto e ainda sim só consegui sair da cama às 10 da matina. Fui direto ao banheiro para um merecido banho. Ouço o som de uma mensagem La do celular, enxuguei minhas mãos e fui conferir do que se tratava. Era uma mensagem da John informando que uma pessoa muito especial a um grande amigo havia nos deixado.

“Sabe aquela pessoa que você se sente íntimo de tanto que ouve falar dela? Esta era a minha relação com a Dona “Jessy”. Ela era baixinha e de aparência muy pacata. Usava uns óculos estilho abelhinha cute. E segundo Carlos Albert, seu filho/neto, era uma excelente cozinheira (No caso deste gordo safado, leia-se “Ela fazia maniçoba como ninguém faria”). E lembro-me bem do dia em que virei fã por completo da Dona Jessy. Foi numa narrativa lendária dela apartando uma briga entre o pai do Carlos Albert e a tia dele. Segundo a descrição, ela socou tão absurdamente um pedaço de mármore que causou danos irreversíveis. Ao mármore, é claro!! E os brigões, ao sentirem a bondade do golpe de sua querida mamãe, só faltaram dizer um ao outro o quão profundamente se amavam, na medida em que rapidamente se recolhiam cada qual ao seu canto. Então me fala, tem como não ser fã da dona Jessy? Auhauhauhehuh A priori, não importava quantas vezes o Carlos Albert contasse esta historia, eu simplesmente não cansava de ouvir!! Aeuheauhaeuh e delirava do mesmo jeito todas as vezes que chegava na parte do foguete no mármore. mUuuuuuito louco! Dona Jessy, A Super-Saiyajin!”

E lá estava eu, desorientado com a notícia, pensando em mil coisas. O carnaval, a alegria, tudo parecia algo distante e até mesmo indiferente agora. E a única coisa que consegui pensar foi em voltar a Belém e saber como meu amigo estava. Claro, não esperaria que ele estivesse bem. Mas só por saber que eu estaria pronto caso ele quisesse fazer algo num domingo tão ruim como este já seria um alívio. A manhã estava ensolarada e eu saí para a viagem de volta em torno do meio dia. Foi quando notei uma coisa estranha. Céu fechou repentinamente. E assim ficou por um bom tempo. Até aí, tudo bem. No entanto, começou a chover no mesmo momento em que o ônibus deu a partida. A mesma chuva a que fustigara a janela enquanto grossos pingos acumulavam-se no topo dela, caindo sem parar. O mesmo ritmo hipnótico. Mas não era aleatório. Não era mais caótico. Não era mais alegre. Foi com algum espanto que notei que os pingos deslizavam pela janela absolutamente retos em sua trajetória, sem a menor variação. Tomei nota daquilo.

Seriam lágrimas?

Fosse o que fosse, compreendi tal como um último, respeitoso e sutil tributo a um dia tão triste.

Fechei meus olhos e rezei pela dona Jessy...

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