Um blog escrito por um míope que resolveu contar algumas de suas idéias e histórias vesgas :D
terça-feira, 3 de março de 2009
Quando a chuva tem algo a dizer...
Quando a chuva tem algo a dizer...
Meu sono é leve, dormi às 6 da manha e acordei às 10...na verdade estava desperto desde as 8 but one more time eu estava sobre o colchão preguiçoso da Mayra. E olha que odeio ficar deitado olhando para o teto e ainda sim só consegui sair da cama às 10 da matina. Fui direto ao banheiro para um merecido banho. Ouço o som de uma mensagem La do celular, enxuguei minhas mãos e fui conferir do que se tratava. Era uma mensagem da John informando que uma pessoa muito especial a um grande amigo havia nos deixado.
“Sabe aquela pessoa que você se sente íntimo de tanto que ouve falar dela? Esta era a minha relação com a Dona “Jessy”. Ela era baixinha e de aparência muy pacata. Usava uns óculos estilho abelhinha cute. E segundo Carlos Albert, seu filho/neto, era uma excelente cozinheira (No caso deste gordo safado, leia-se “Ela fazia maniçoba como ninguém faria”). E lembro-me bem do dia em que virei fã por completo da Dona Jessy. Foi numa narrativa lendária dela apartando uma briga entre o pai do Carlos Albert e a tia dele. Segundo a descrição, ela socou tão absurdamente um pedaço de mármore que causou danos irreversíveis. Ao mármore, é claro!! E os brigões, ao sentirem a bondade do golpe de sua querida mamãe, só faltaram dizer um ao outro o quão profundamente se amavam, na medida em que rapidamente se recolhiam cada qual ao seu canto. Então me fala, tem como não ser fã da dona Jessy? Auhauhauhehuh A priori, não importava quantas vezes o Carlos Albert contasse esta historia, eu simplesmente não cansava de ouvir!! Aeuheauhaeuh e delirava do mesmo jeito todas as vezes que chegava na parte do foguete no mármore. mUuuuuuito louco! Dona Jessy, A Super-Saiyajin!”
E lá estava eu, desorientado com a notícia, pensando em mil coisas. O carnaval, a alegria, tudo parecia algo distante e até mesmo indiferente agora. E a única coisa que consegui pensar foi em voltar a Belém e saber como meu amigo estava. Claro, não esperaria que ele estivesse bem. Mas só por saber que eu estaria pronto caso ele quisesse fazer algo num domingo tão ruim como este já seria um alívio. A manhã estava ensolarada e eu saí para a viagem de volta em torno do meio dia. Foi quando notei uma coisa estranha. Céu fechou repentinamente. E assim ficou por um bom tempo. Até aí, tudo bem. No entanto, começou a chover no mesmo momento em que o ônibus deu a partida. A mesma chuva a que fustigara a janela enquanto grossos pingos acumulavam-se no topo dela, caindo sem parar. O mesmo ritmo hipnótico. Mas não era aleatório. Não era mais caótico. Não era mais alegre. Foi com algum espanto que notei que os pingos deslizavam pela janela absolutamente retos em sua trajetória, sem a menor variação. Tomei nota daquilo.
Seriam lágrimas?
Fosse o que fosse, compreendi tal como um último, respeitoso e sutil tributo a um dia tão triste.
Fechei meus olhos e rezei pela dona Jessy...
Carnaval + Mayra = Yaaaahooooo!! \o/
Sábado, 21 de fevereiro de 2009
Carnaval + Mayra = Yaaaahooooo!! \o/
Diário de bordo do Carnaval.
Destino: São Miguel do Guamá.
Localização: Não faço a menor idéia!
Estadia: Casa da Mayra
Duração: Vai saber!!
São Miguel do Guamá. Não faço a menor idéia de onde fica isso, mas é pra lá que eu vou! Não estou indo assim tão às cegas. Afinal, segundo a minha anfitriã: “Chega no terminal e me liga!”. Então acho bem difícil errar. Mayra é uma amiga do curso de farmácia. Uma mulher de deixar nego com o queixo arrastando no chão. Calma, calma, já já eu explico o porque.
Esse é o tipo de viagem que sempre da certo. Tudo acertado com menos de 12h, dinheiro aparecendo do nada, roupa por arrumar 1h antes do embarque. Ou seja, você não tem lá muito tempo para pensar em desistir, apenas em agir! Por isso que não tem erro!
O sábado amanheceu mórbido. Aquela tonalidade agourenta cinza-chumbo tão familiar aos belenenses (ou belemenses? Não sei...) e que parecia preceder um carnaval a base de nado, quem sabe! O que sei é que em minutos, ainda no taxi em direção ao terminal, a movimento incessante do pára-brisas dava o tom da viagem.
A partida não demorou muito para acontecer. Neste ponto, a chuva agora fustigava a janela enquanto grossos pingos acumulavam-se no topo dela, caindo sem parar. Isto criava uma agradável, hipnótica e aleatória dança bem diante dos meus olhos. Coisas que me impressionam. E nisto um flash muitos anos no passado quando li Jostein Gaarder e seu Mundo de Sofia, onde lia-se: “Para ser um bom filósofo é necessário a capacidade de admirar-se com as pequenas coisas...” ou algo assim. Ri da lembrança, pois na primeira vez em que li isto, vi algo muito pessoal descrito ali sem maiores cerimônias. Ou seja, o que sempre considerei um aspecto por certo abobalhado era enxergado por alguém como boa prática filosófica. Good memories, good memories...
O som de Scummy do The Strokes, falando de cafetões e meretrizes, quebrava a breve e consciente hipnose da janela, trazendo minhas idéias um pouco mais para a realidade. Foi uma viagem tranqüila, com muitas e irritantes paradas para embarque e desembarque. E entre uma cochilada e outra, já era hora do almoço.
Ao que me parece o ônibus dirigia-se à Paragominas e devido a isto havia uma pausa de 20min em para que as pessoas pudessem almoçar. Desci, comprei uma coca geladinha e dois pasteis tão quanto ou mais friáveis que um cascalho e lá fiquei. Pelo horário vi que me atrasaria para o almoço na casa da Mayra e logo liguei avisando...
Eu: Oi mAyra
Mayra: menino, onde tu ta?
Eu: Ah eu to aqui numa churrascaria chamada *nome imenso que não consigo lembrar agora*. É nela que eu to.
Mayra: Mas OLHA! TU TA EM SÃO MIGUEL E NEM SABES!!
Eu: Ih, to, é? Aehuaeuiea que legal! Mas isso aqui não é um terminal. Vo confirmar minha posição...
*caminha em direção à tia do pastel-cascalho*
Eu: Ei tia, aqui é São Miguel, é?
Tia do pastel-cascalho: Sim
Eu: Brigadin \o
Eu: Mayra EU TO EM SÃO MIGUEEEEEEEEEL! *torcida vai ao delírio*
Mayra *rindo*: então ta, me espera ai que já vou...
Lá eu estava. Mayra falara de um terminal rodoviário e que Lá eu deveria ligar. E, até onde meus limitados conhecimentos chegam, terminais rodoviários não possuem bombas de gasolinas ou tampouco costumam ser chamados de “Ipiranga”. E em terminais rodoviários os passageiros costumam ser várias pessoas e não toda a sorte de quinquilharia coberta por uma lona cor-de-barro. Portanto, aquilo era tanto um terminal rodoviário quanto eu poderia ser capaz de achar a Mayra sozinho ali. Fim de problema....Opa! lá vem a Mayra ali numa moto... aff que mulher ahuahuauhauh. Sem mais delongas, vamos à Mayra:
Todo homem sustenta o tolo sonho de ter um troféu ao seu lado. Um mulherão e tals, Certo? Ok, a Mayra é um desses troféus, uma dessas mulheres. Do altos dos seus mais de 1,70 (bem mais), um belo par de coxas, um corpo todo nos eixo, um sorriso honesto, solto e contagiante, a primeira coisa que normalmente você faz, por instinto, é confirmar se é pra tu mesmo que ela ta olhando *olhando em volta pra confirmar*. Após confirmar, ver a pose dela na moto já te intimida de cara. Ela tem essa confusa habilidade. Mas mulheres bonitas normalmente são burras ou metidas. Esqueça! Mayra é um tipo tão carismático e adorável que te deixa *mais uma vez* sem jeito. E ela tem tanto de burra quanto eu teria de menino tolo e inocente, ou seja, nada! Então não tem defeitos? Claro que os tem! Um deles, apenas para figurar nas respostas clássicas de nós rapazes, é não estar comigo *rolando de rir*. E o outro, ah, deixa pra lá. Mayra dá um post inteiro, então deixarei isto como uma breve introdução à uma pessoa que, no mínimo, tenho em altíssima estima. Vejam por si próprios do que estou falando e confirmem =pPp
Subir naquela moto foi tenso. Eu, um rapaz dotado de uma destreza invejável *mais atrapalhado impossível* tentando subir numa garupa com uma mochila nas costas e uma mala atrás. Se eu fosse ateu, passaria a crer cegamente em Deus a partir de hoje.
Demos uma volta pelos centros turísticos da cidade. Como estamos falando de um “interior”, isso resume-se praticamente a uma ou duas coisas. E adoro essa parte porque me faz sentir fora e beeem longe da cidade! \o/ Nota aqui para a “volta do besta”.... quem for a São Miguel, NÃO pode sair sem passar por lá. Ahauhauuha
Após esse tour, fomos então para a casa “de pobre”, segundo palavras da própria Mayra. Só a frente do lugar dá umas duas casas minhas de largura. O quintal por si só já é a minha casa inteira! Um lugar bem arejado e com muitas palmeiras e a primeira coisa que desejei foi uma rede ali. E a segunda que notei, a que me chocou de imediato, foi um banco semelhante àqueles de praça, um pouco mais longo, de cor azul. E o choque foi causado porque num banco muito semelhante àquele eu vi sentado uma figura mítica. Gabriel Garcia Marquez sentado em um banco muitíssimo semelhante àquele compusera a capa de uma das edições de seu lendário livro intitulado “’100 anos de solidão”. Tem alguns anos que li esta obra, mas certamente foi a primeira coisa que me veio na mente assim que meus olhos encontraram aquele banco. Rapaz, São Miguel tem umas relíquias mesmo!!!
E então entrei na casa pela cozinha. Um detalhe extremamente interessante aqui. As cozinhas antigamente eram o lugar preferido da casa onde muitas vezes pessoas eram recebidas. Isso propõe, de cara, um clima afetuoso e intimista que só uma grande cozinha poderia ofertar. E assim é aqui. Todos costumam reunir-se na cozinha para conversar, rir ou falar de qualquer assunto, receber algumas visitas, além de comer, naturalmente. E essa certamente foi a segunda relíquia que encontrei aqui em São Miguel: Uma cozinha intimista de séculos passados!! Coisa rara...
Os pais da Mayra não foram uma surpresa, não por serem medíocres, mas simplesmente porque, conhecendo a filha e sabendo de suas qualidades, de algum lugar isto deve ter vindo!! Seu Amaral tem cara de matador. No bom sentido, claro! Sabe aquele tipo clássico de pai coruja que expulsa pretendentes a base de tiro, paulada e cachorros?? Taí uma impressão que tive do seu Amaral. Nada negativo, apenas engraçado. Seu Amaral é um cara super gentil e hospitaleiro. Alias, “hospitalidade” é uma palavra que parece profundamente enraizada no DNA da família da Mayra. Impressionante. Dona Teresa tem praticamente as mesmas características de personalidade que a Mayra, portanto, falar de uma é praticamente falar da outra. E putz, uma nota importantíssima aqui para o dedinho do Et (é, aquele do Spielberg) , uma espécie de código carinhoso usado entre a Mayra e dona Teresa. Cara, é muito cute, so vendo pra entender.
Fiquei em um quarto com uma cama de solteiro e outra de casal. Deitei e lá fiquei lendo, na esperança que tempo passasse e eu fosse conhecer as noitadas de São Miguel do Guamá. Intercalei entre escrever este diário de bordo e ler meus filhotes. E de repente....*boceeeeeeeeeeeeeeeeeeeejo....* Qué é isso? Meus olhos começaram a pesar de tal forma que mal conseguia segurar o livro. Indaguei a respeito de uma possível noite mal dormida e nada achei, já que dormi cedo e acordei relativamente tarde. Uma letargia se apossou do meu corpo e eu pensei em me levantar. Mas só pensei...
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Já não havia sinal de sol quando acordei. Levantei rapidamente e fixei meu olhar, horrorizado, em direção aquele colchão. Durante algumas vezes que acordei sentia meu corpo pesado e preso ali. Um magnetismo fora do comum. Uma coisa é você estar exausto e dormir feito uma pedra. Outra é você ficar exausto e dormir feito uma pedra após deitar numa cama aparentemente inofensiva. Fiquei me perguntando que tipo de surpresas mais eu teria enquanto estivesse ali na casa da Mayra. E, visto minha “indignação”, precisei fazer uma reclamação formal à minha anfitriã:
“Mayra, decididamente, esse é o colchão mais preguiçoso que eu já conheci”
E mais uma raridade....
Quem seria capaz de manufaturar tal coisa? Virgens-caolhas-pernetas-da-orla-de-São-Miguel? Deveria ser algo assim. Mas antes que eu pudesse fechar minha teoria já era hora de sair. ERrr, bem, eu estava pronto às 21 e saímos pra mais de 23h. Ok ok, “detalhes”, ou melhor, o termo que ficou marcado nessa viagem: “Tsk, Mulheres...”. Chapinha pra cá, pinduricalhos pra lá, aquela correria de sempre. Mas é o tipo de coisa que vale a pena esperar depois que se enxerga o resultado *vide foto da Mayra nesta dia*.
Rumamos de moto para a orla, local onde inicialmente começariam as festividades. Bem, uma boa definição do ambiente veio diretamente da filha da terra, Mayra: “Ah mano... viado e pipira aqui tu acha é de quilo!”. Ahuahauiahui e era bem por ai mesmo. Nota aqui para duas “maranhenses” que achei pelo caminho: Uma me olhou dos pés a cabeça, deu uma mordidinha marota nos lábios e ficou encarando até eu passar por ela. A outra fez a mesma coisa só que ao invés de morder os lábios ficou encarando e dando umas reboladas show de bola até o chão. Justificaticas? Sim, algumas. A mais plausível delas certamente é esta: “Fresh meat”. Peguei? Não não... aqui é o Paraíso do meu amigo Maranhão, e não o meu. Facilidade demais corta o tesão. O show transcorreu, uns corações foram despedaçados e entre mortos e feridos estávamos numa casa de lanches. Chuva começou, pessoas debandando e a noticia de que uma aparelhagem do namorado de uma amiga da Mayra iria tocar naquela noite.
O que estamos esperando?
Era uma casa de shows não muito grande, com ingresso a cinco reais *pasmem*. Entramos e de novo a sensacão de que há mais olhos fixos em você do que você realmente gostaria. E nem era tanto por minha causa mas sim porque, convenhamos, a Mayra e a Leyden estavam vestidas parar machucar qualquer coração vira-lata ao redor. Eu via e ria das quebradinhas de pescoço, especialmente das meninas, olhando a exuberância das minhas companhias naquela noite. É.....Tsk, mulheres.
Musica bombando, eu puto porque não sei dançar muito brega e Mayra se rasgando no meio do salão. A Leyden tava quietinha, afinal, coleira tava perto. É intimidante ver pessoas de São Miguel dançando brega. Sim, tive a nítida impressão de cada uma delas ter sido parida sobre a mesa de uma aparelhagem. E incluo a Mayra nisso, certamente. Povo dança muito viu. Mas foi bem divertido, especialmente na parte da disputa do créu por um balde de cervejas, quando filmei as recatadas moças no palco dançando as marchas desta tão erudita canção. E fiquei preocupado ao ver a Mayra dançando de verdade porque disse que até o final do curso eu dançaria sério com ela. Começo a duvidar que isso seja possível a julgar pelo que vi. Foi chato porque fomos expulsos da festa que terminou lá pelas 4 da manhã e fomos dormir como bons anjinhos de candura.