quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Quando um cão é... um cão ;)

Meu cachorro é um cachorro. Normalmente essa afirmação seria tomada como uma tola redundância, porém, hoje farei dela uma metonímia (é, aquela aula da tiazinha de português: "Belém, cidade das mangueiras" que todos nós freqüentamos um dia). E, de acordo com um dicionário lendário aqui de casa, cachorro é também um sujeito safado, cafajeste, travesso. E eis o porquê da metonímia...

    Um dos "males" que afligem pessoas idosas é o coração mole. Meu pai, alguém próximo a sete décadas, não é exceção a esta regra. Digo males pois foi isso que o fez acreditar que um cachorro interesseiro e nada tolo com o Flit (juro que o nome não foi idéia minha) acharia fantástico o fato dele organizar sua coleção de sabe-Deus-quantos DVD's piratas. Um tom guti-guti apossou-se por completo de sua voz, normalmente trovejante e com ar brigão, ao chamar a doméstica aqui de casa, gabando-se: "OOooolha Jana, veja como este cachorro é companheiro, está aqui, debruçado sobre o batente da estante querendo saber o estou fazendo". Jana olhou, sorriu e retornou aos seus afazeres. E lá, firme e forte, Flit, o cachorro metonímico, continuava sua vigília sob as atividades do abobalhado patriarca desta família. Em um dado momento, meu pai saiu do corredor e foi para a sala terminar sua organização, no que Flit prontamente seguiu-o e sentou-se ao seu lado, com um ar de "nossa, que legal! Me ensina a empacotar DVDs?". E lá meu pai todo gabado chamou novamente a empregada: "Oollha Jana, que bonitinho". Mas meu pai logo estranhou aquele olhar sério, as patinhas dele batendo rápido no chão e uma rosnadinha de descontentamento. Bem a tempo


 

Porque aquele "companheirismo" nada mais era do que um cão em desespero por ver seu pacote de biscoitos sendo guardados e prestes e serem escondidos junto com um bocado de DVDs...

Um comentário:

Andreia Arantes disse...

Bacana seu blog...beijos!