sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Tio Patinhas e Jesus Cristo: mera questão de semelhança

Prólogo

Estacionar em Belém nos dias atuais é uma tarefa interessante. Ao menos nenhum motorista carente pode reclamar disso, visto que basta você parar o carro na via pública por mais de 5seg qu,e das trevas, das árvores ou do solo brotam umas figuras segurando um bagulho cor laranja-encardido – normalmente chamado de flanela - dizendo "âE chefe, Aê chefe" e apontando seus malditos polegares para o alto, num claro sinal de "Não vou reparar o teu carro, mas no final quero ser pago por te fazer de trouxa e ainda sim dizer que estou trabalhando".


 

Tio Patinhas e Jesus Cristo, qual a ligação??

Sábado tranqüilo. O Carlos Albert estava por aqui e saímos para jantar. Ele, a mulher dele, Bruno e eu. Após eu dar um show ao volante, com uma morridinha básica, várias buzinadas, e uma acelerada gostosa com o pé socado na embreagem (culpa do Carlos Albert, lógico), conseguimos estacionar.

    Pois bem, estacionei. Para o meu espanto, ninguém brotou. Então fomos todos milagrosamente desacompanhados até o dito restaurante. Comemos, falamos besteira e mal dos outros. O padrão. Ao entramos no carro eu notei pelo retrovisor uma aproximação esquálida figura. Uma flanela do sexo feminino num óbvio approach para recitar mentalmente a frase citada no prólogo. Ao chegar, ficou me olhando como se eu fosse o idiota que não soubesse o que devia fazer. Então, em uma incrível interpretação do meu papel de trouxa, peguei a primeira moeda que apalpei, uma de 25 centavos, e entreguei. E os acontecimentos desencadeados após isto eu jamais hei de esquecer...

    "Vários estalos se iniciaram dentro do carro. Vidros frontais e laterais emitiam sons impossíveis em condições normais. Em meio à confusão e atordoamento, Carlos Albert constatou o que os causara. A moeda de 25 centavos acabara de ser lançada com toda a força para dentro do carro, viajando do banco do motorista até o lado dele."

    São momentos como esse que me fazem entender o porque das mortes aparentemente sem motivo que encharcam de sangue das páginas policiais. Fui tomado de uma fúria tão grande que precisei simplesmente me grudar ao volante do carro bem uns 30seg pra não ter que descer moer cada pedaço do corpo daquela criatura. Quando desci, iniciei a aproximação, ainda sedento, e comecei a criar um monte de imagens bem sanguinárias para só então começar a me acalmar. Eu precisava me acalmar. Afinal, eu adoraria chutá-la até observar o seu próprio pulmão sair pela boca, mas meu bom senso avaliou que esta divertida opção me traria mais dor de cabeça que benefícios, então fiquei só com a confortante idéia. Quando ela me olhou, vi claramente a dilatação de suas pupilas e uma respiração instantaneamente entrecortada, mãos levadas à altura do tórax e rosto em uma inútil tentativa de defesa. Ri-me daquilo ao voltar para o carro. Minha aparência não devia estar muito agradável, no final das contas. Xinguei-a e ela foi se afastando, sem jamais dar as costas.

    É bom ter amigos. Especialmente em horas como aquela. A questão é só que eu não concebo como um filho-de-rapariga-sem-vergonha como o Carlos Albert conseguiu concluir que a melhor opção para me acalmar naquela hora foi acertar moedadas a noite inteira, enquanto jogávamos bilhar...

    Sorte dele que a moeda era de cinco centavos...Gordo fdp! Rsss ;)


 

Epílogo

    Das mil coisas que pensei naquela noite, três certamente me fizeram rir:

  1. Judas jamais traiu Jesus por um saco de moedas de prata. Certamente o sacana acertou uma moedada certeira no pobre coitado na noite da Santa Ceia. (Calma cristãos...amigo....amigo...)


     

  2. Tio Patinhas considera tanto aquela maldita moeda Nº 1 não porque ela lhe trouxe fortuna, mas sim porque foi a primeira e última que o safado acertou no Pão Duro MacMoney antes de os dois cortarem relações para todo o sempre.


     

  3. A Casa da Moeda é o inferno na Terra.