quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Penso, logo sou Farmacêutico.

No decorrer de nossa longa jornada enquanto estudantes, nos deparamos com todo o tipo de professor. Há aqueles que serão lembrados por terem sido tão cretinos a ponto de nos causarem ânsias com a simples menção de seus nomes. Há aqueles de que lembraremos rindo seja pelas piadas ou por trejeitos cômicos, fala enrolada, pelas cantadas nas alunas ou mesmo um estilo old-fashioned. E há aqueles lembraremos por termos desejado sinceramente saber tanto quanto ou mais que ele/ela. Enfim, certamente há todo o tipo de professor para ser lembrado.

No sexto semestre do meu curso de Farmácia tive a oportunidade de conhecer uma professora chamada Marselle. Sua aparência é tipicamente nerd: Cabelos em tonalidade revoltosos, óculos de aros largos e às vezes uma mochilinha. Well, alguém aí poderia atestar tratar-se apenas de mais uma personalidade freak do meio acadêmico. Ledo engano, my friends. No decorrer de suas explanações – a propósito, Política de Saúde e Planejamento – Marselle demonstrava aptidões terrivelmente admiráveis ao meu ver: humor ácido, despojado, livre daquela irritante aura de superioridade acadêmica, recheado de piadas por vezes tão maldosas quanto veladas, algumas pitadas de contextualização bem colocadas e uma eloqüente habilidade de questionar o nosso paradoxal modelo de saúde pública que, ao mesmo tempo, consegue ser um dos mais avançados do mundo e, em medida igual, um dos mais esfacelados dos quais tenho conhecimento. Eu adorava escutar aquelas coisas, mas a maioria achava a aula um saco. Povo não curte história, não gosta de leitura, não gosta de pensar ou refletir sobre a realidade! Francamente, eles deveriam entender que tanto o mundo quanto a nossa querida profissão podem ser mais interessantes e intelectualmente mais atraentes que as lentes de um microscópio, laudos repetidos e reproduções robóticas da técnica escrita nos kits de glicose! >:D Mas enfim, né?

Meu pensamento na época era um só: "Caraca, imagina sentar numa mesa de bar com essa maluca, deve ser muuuito doido...". Este que era compartilhado pelo meu amigo Carlos Albert, que tinha idéias semelhantes sobre aquela nova professora. Mas o tempo passou, tentamos convidá-la um par de vezes para um clássico almoço na Hut e... não deu em nada! ;/ Mas a idéia permaneceu, incólume, em algum canto da minha memória. Estávamos então no primeiro semestre de 2008.

    Sexta feira, 21 de agosto da Era comum, ano de 2009

    O destino tem um modus operandi que eu sempre considerei fascinante: ser insondável por excelência! Pois eis que nesta bendita sexta-feira eu estava a vagar pela Brás de Aguiar em busca de um local que adoro freqüentar: Cafés. Sim, ambientes de arquitetura refinada, atendentes sorridentes, bebidas e quitutes diferenciados e acima do preço normal. O típico lugar onde você puxa um livro para ler, gasta dinheiro sem notar e perde a noção do tempo.

    Ao entrar, olhei ao redor e lá estava ela, afundada numa poltrona de um lugar. Quando eu a vi, logo pensei "Olha que m....! se eu tivesse marcado não teria dado certo!". Após os cumprimentos iniciais, comecei a falar a respeito da minha caótica situação e também iniciamos uma ligeira troca de idéias a respeito de simbolismos referentes à figura profana/divina da serpente, aquela mesma presente nos cursos de farmácia e medicina, bíblia e afins. Não nos alongamos muito. Logo chegou uma terceira pessoa junto à mesa, creio que esperada pela Marselle. Mas essa daí eu prefiro não comentar a respeito, pois é o tipo de pessoa que dá vontade de socar só de ouvir falar.

    Só para se ter uma idéia, ela odeia a vida. E especialmente o Círio de Nazaré. AHUAHuaHAUhUAHAUhAU

    O que importa é que realizei uma antiga vontade. Não me decepcionei. Marselle é doida, engraçada e capaz de viajar numa variedade de assuntos, pelo que pude perceber. Nada me consterna mais do que conversar meus amigos e até mesmo professores que são incapazes de debater quaisquer assuntos fora do nicho de suas pretensas áreas, munidos por vezes de argumentos tão provincianos que, se branquinho eu fosse, ruborizado estaria. auhauhauha

     A capacidade de questionamento e análise de nossos paradigmas é um dos exercícios mais nobres e antigos da nossa civilização, sem sombra de dúvida. E para minha tristeza esse exercício é pouco ou quase nada praticado pelo profissional farmacêutico. Minha admiração pela Marselle, além das demais coisas supracitadas, reside no simples fato dela demonstrar que isto ainda é plenamente possível.

    Porque, na boa, agora eu sei que não serei um farmacêutico sozinho neste mundo!!! auhahuauhauh


 

Vlwwwwww Marselle! ;D

E até o próximo Café!

2 comentários:

Marselle Nobre de Carvalho disse...

Eu preciso dizer que foi uma grata supresa encontrar o Diogo em um café na Braz de Aguiar. Na verdade, me supreendeu perceber que nós, pobres mortais, julgamos os livros pela capa e achamos que o hábito faz o monge. Os livros tem que ser lidos e nem sempre quem usa hábito é monge. O que quero dizer? Jamais pensei que por tras daquele rapaz comunicativo e brincalhão há um sujeito intelectualizado, amante da leitura, interessado em café (bebida que eu adorooooo!!!) e, acima de tudo, com uma aguçada e refinada percepção do mundo... Adorei o nosso curto papo, regado a café! Que venham mais...

:)

P.S: Recomendo que você continue assim: mente aberta e senso crítico aguçado, porque essas são caracteristicas vistas (e exercitadas!) naqueles que não aceitam ser medianos, medíocres.

www.sualista.com.br disse...

www.sualista.com.br