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“Eu acredito quando dizem que a morte é o fim. Eu a entendo como o final do deleite e da dor que pode significar viver. Os que morrem encontram, teoricamente, algum descanso, deixando aos que ficam a responsabilidade de carregar triste e saudosamente seus ideais, sonhos e crenças. E não quero dizer que ao morrer aquela pessoa deixa de existir em outros planos ou de outras formas. Eu apenas sustento a visão egoísta de que para nós, ou seja, os que ficam, é um penoso adeus final.
Eu respeito os mortos. Os respeito porque um dia eles caminharam sobre o mesmo chão que meus pés tocam, fossem eles conhecidos como respeitáveis heróis ou temidos vilões, fossem eles geniais artífices ou alguém que dorme ao relento. Eles foram alguma coisa e estiveram ali por algum desconhecido motivo. Portanto, ao morrer, eu os respeito por entender que a morte é indiferente a tudo aquilo que eles foram em vida. É o estado mais primordial desde o momento em que qualquer um de nós vislumbrou a luz do sol ou das estrelas ao nascer.
E hoje todas essas coisas trespassaram meus pensamentos como uma lâmina afiada retalhadora de almas, quando tive de escolher entre o corpo élfico de um companheiro caído em batalha e alguém vivo que era nosso objetivo dentro daquele inferno todo. Eu tive que escolher sozinho entre a vida e a não-vida. Tive mais uma vez deixar alguém para trás e isso reavivou minhas atrozes lembranças de Impiltur. No entanto, mesmo que este dilema me tortute impiedosamente, sinto que se eu entregasse meu companheiro caído nas mãos nefastas daquele sórdido Zhentarim, eu estaria entregando a ele bem mais que um “simples” corpo.
Eu também estaria entregando em suas mãos parte daquilo que sou.”
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